O FRUTO DO ESPÍRITO
Gálatas 5.22-23
1. O que é um fruto?
2. Os dicionários definem fruto como sendo “produto comestível das árvores frutíferas”, e, no sentido figurado, “um filho; um resultado; o proveito que tiramos de algo”.
3. Sobre o Fruto do Espírito, o mesmo é o resultado, aquilo que o Espírito de Deus que em nós habita produz em nós.
4. Falando aos Gálatas, Paulo apresenta o que podemos chamar de nove “gomos” desse fruto: caridade (amor), gozo (alegria), paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé (fidelidade), mansidão e temperança (domínio próprio).
5. O nosso propósito aqui é refletir um pouco sobre cada um desses nove gomos, dessas nove qualidades que o Espírito Santo produz na vida daquele que se entrega a Jesus.
6. Vejamos então:
I. O AMOR
1. Antes de tudo convém-nos lembrar que o amor aqui é o amor ágape.
2. Sobre esse tipo de amor, William Barclay diz algo interessante no livro “As Obras da Carne e o Fruto do Espírito”:
Como devemos determinar o significado de ágape? Podemos determinar o seu significado tendo por fundamento a maneira de o próprio Jesus falar dele. A passagem básica é Mateus 5.43-48. Ali, Jesus insiste em que o amor humano deve seguir o padrão do amor de Deus. E qual é a grande ca-racterística do amor de Deus? Deus faz vir chuvas sobre justos e injustos, e faz nascer o sol sobre maus e bons. Logo, o significado de ágape é a benevolência invencível, a boa vontade que nunca é derrotada. Ágape é o espírito no coração que nunca procurará outra coisa senão o sumo bem do seu próximo. Não se importa com o tratamento que recebe do seu próximo, nem com a natureza dele; não se importa com a atitude do próximo para com ele, nunca procurará outra coisa a não ser o sumo bem do próximo, o melhor para ele.
3. Barclay ainda escreve algo bem interessante a que ele chama de “qualidade básica do amor em ação na vida cristã”. Eu me delicio lendo aquilo que ele escreveu (apesar de ele não poder ser chamado de evangélico por não crer em algumas doutrinas que são fundamentos da fé evangélica). É um pouco extenso, mas vale a pena ler:
(i) O amor é a atmosfera da vida cristã. O cristão, diz Paulo, deve andar em amor (Ef 5.2). Toda vida leva consigo a sua própria atmosfera. Uma das alunas da grande mestra norte-americana Alice Fre-eman Palmer disse acerca dela: "Ela fazia com que me sentisse banhada pelos raios do sol". Por outro lado, Richard Church em seu ensaio autobiográfico fala a respeito do primeiro dia que passou na escola. Tinha consciência daquilo que chamou de "um fingimento frio e impessoal de benevolência no ar". Há uma atmosfera que é como uma túnica quente, e outra que é como uma ducha fria. O cristão leva esta atmosfera de benevolência radiante por onde for. Paulo expressa esta mesma verdade de outra maneira. O amor, diz ele, é a vestimenta da vida cristã. Conclama os colossenses a se vestirem com o amor (CI 3.14). Falamos de uma pessoa revestida de beleza, ou armada em virtude. A vida cristã veste-se desta boa vontade que se estende a todos os homens.
(ii) O amor é o motivo universal da vida crista: "Todos os vossos atos sejam feitos com amor", Paulo escreve aos coríntios (1 Co 16.14). O Sermão no Monte nos deixa sem dúvidas quanto à importância dos motivos do coração na vida cristã (Mt 5.21-48). Há um tipo de generosidade cujo motivo principal é obter prestígio. Há um tipo de advertência e repreensão que brota do deleite em ferir as pessoas e em vê-Ias afastando-se. Há até mesmo um tipo de labuta e serviço que provém do orgulho. Um dos deveres mais negligenciados da vida cristã é o auto-exame, e talvez isto seja negligenciado por ser um exercício muito humilhante. Se nos examinarmos, é bem possível que descubramos que não há quase nada neste mundo que façamos com motivos puros e sem mistura. Ainda que seja assim, devemos continuar a colocar diante de nós o padrão pelo qual devemos viver, a insistência de que o único motivo cristão é o amor.
(iii) O amor é o segredo da unidade crista: Os cristãos são unidos pelo amor (CI 2.2). O que há de significante neste amor cristão é que ele se espalha em círculos que se expandem cada vez mais. (a) Começa sendo amor pelos santos, ou seja, amor pelos demais membros da comunidade cristã e pelos nossos irmãos cristãos (Ef 1.15; CI 1.4; 1 Ts 3.12). (b) E amor pelos líderes da Igreja (1 Ts 5.12, 13). É um fato muito simples que a única dádiva que Paulo pediu da parte das suas igrejas foi que orassem por ele, que o conservassem em seus corações e que o sustentassem através da ora-ção (Rm. 15.30). (c) Torna-se amor por todos os homens. Os cristãos devem abundar em amor uns para com os outros, e com todos os homens (1 Ts. 3.12)
(iv) O amor é o enfatizar da verdade cristã. O cristão deve necessariamente ser um amante da ver-dade (2 Ts 2.1 O), mas a todo tempo deve falar a verdade em amor (Ef 4.15). É fácil falar a verdade de tal maneira a ferir e machucar; não é impossível alguém ter prazer ao ver uma pessoa encolher-se e estremecer sob as chicotadas da verdade. "A verdade," diziam os cínicos, "é como a luz para olhos irritados." Florence Allshom foi uma famosa e muito amada diretora de um grande instituto missionário para mulheres. Inevitavelmente havia ocasiões em que ela tinha de repreender suas estudantes; mas dizia-se a respeito dela que, quando tinha motivo para repreender, sempre o fazia como se estivesse abraçando a pessoa a ser repreendida. A verdade falada com o intuito de ferir nada pode produzir senão ressentimento; mas a verdade falada em amor pode despertar o arrependimento que é algo que traz restauração.
(v) O amor é o controlador da liberdade cristã. A liberdade deve ser usada, não como desculpa para a licenciosidade, mas como dever de servirmos uns aos outros (Gl 5.13). Existem muitas coisas que são perfeitamente seguras para o irmão mais forte, e que poderia legitimamente ser permitida, sem dúvida alguma; mas ele abstém-se dessas coisas porque ama e recusa-se a prejudicar com o seu exemplo o irmão por quem Cristo morreu (Rm 14.15). Se o amor é a base da vida, a responsabilidade é a sua tônica, Nenhum cristão pensa nas coisas somente porque afetam a sua própria pessoa. O privilégio da liberdade crista é condicionado pela obrigação do amor cristão.
(vi) Este amor cristão não é nenhuma emoção fácil e sentimentalista. O amor tem os olhos abertos. A oração de Paulo pelos filipenses é no sentido de que abundem em todo o conhecimento e em toda a percepção sensível, de modo que sejam capacitados a distinguir entre as coisas que diferem entre si, escolhendo as que são certas (Fp 1.10). O amor cristão na vida é acompanhado por uma nova sensibilidade para com os sentimentos, necessidades e problemas dos outros, uma nova consciência da bondade, e um novo horror pelo pecado. Longe de ser cego, o amor cristão ensina o
homem a ver com clareza e a sentir com uma intensidade nunca antes experimentada. Da mesma maneira, o amor cristão é forte. Na correspondência de Paulo com a igreja em Corinto há dois usos muito iluminadores da palavra "amor." Em 2 Co 2.4 Paulo escreve a respeito da carta dura e severa que havia enviado à igreja em Corinto, carta esta que causara aos coríntios mágoa e dor. Mas, diz ele, aquela carta foi escrita, não para lhes causar mágoa e tristeza, mas para comprovar seu amor por eles. A sentença final da primeira carta aos coríntios é: "O meu amor seja com todos vós!" (1 Co 16.24). As cartas a Corinto estão muito longe de serem cartas sentimentais. Administram a disciplina; transmitem a repreensão; não hesitam em ameaçar com o uso da vara de correção; distribuem a correção mais severa; até mesmo exigem a exclusão do perturbador da comunhão da Igreja - contudo, são o resultado do amor. O amor no sentido neotestamentário do termo nunca comete o engano de pensar que amar é deixar uma pessoa fazer o que ela quer. O NT deixa claro que há momentos quando a ira, a disciplina, a repreensão, o castigo e a correção fazem parte do amor.
(vii) É fácil ver que a aquisição e a prática do amor cristão não são uma tarefa fácil. Em 1 Co 14.1, Paulo usa uma expressão muito significativa. A ARA traduz: "Segui o amor." Mas o verbo que é tra-duzido por seguir é diokein que significa perseguir, correr atrás. O amor cristão não é algo que Sim-plesmente acontece; é algo que deve ser buscado, desejado, perseguido, algo que exige a oração e a disciplina do homem para obtê-lo. Longe de ser uma posse automática, é a realização suprema da vida. Pode-se até dizer que o amor cristão não é somente difícil; humanamente falando, é impossível. O amor cristão não é uma realização humana; faz parte do fruto do Espírito. É derramado em nosso coração pelo Espírito Santo. E, assim, chegamos à outra verdade a respeito deste amor cristão. Há um versículo magnífico na carta aos filipenses. Nele, a palavra "amor" propriamente dita não aparece, mas a idéia é a que está no centro do amor cristão. Paulo escreve, conforme diz a AV: "Anseio por todos vós nas entranhas de Jesus Cristo" (Fp 1.8). Literalmente, isto significa: "Amo-vos
com o próprio amor de Cristo. Através de mim Cristo vos ama. O amor que eu vos tenho não é outro senão o amor do próprio Cristo". Agape tem a ver com a mente: não é simplesmente uma emoção que surge em nosso coração sem ser convidada; é um princípio segundo o qual vivemos deliberadamente. Agape tem a ver, de modo supremo, com a vontade. É uma conquista, uma vitória e uma realização. Ninguém já amou por natureza os seus inimigos. Amar os inimigos é uma conquista de todas nossas inclinações e emoções naturais. Este amor cristão, não é meramente uma experiência emocional que vem a nós sem convite e sem ser procurada; é um princípio deliberado da mente, uma conquista e realização da vontade. É, na realidade, o poder de amar os que não são amáveis, de amar as pessoas das quais não gostamos. O cristianismo não pede que amemos nossos inimigos e os homens em geral da mesma maneira que amamos nossos entes queridos e os que estão
mais próximos de nós; isto seria tanto impossível quanto errado. Mas realmente ele exige que te-nhamos a todo tempo uma certa atitude e direção da vontade para com todos os homens, sem nos importarmos com que são eles.
Qual, pois, é o significado deste agape'! A principal passagem para a interpretação do significado de agape é Mt 5.43-48. Ali, somos ordenados a amar os nossos inimigos. Por que? A fim de que sejamos como Deus. E qual é a ação típica de Deus que é citada? Deus envia Sua chuva aos justos e injustos, maus e bons. Ou seja: a natureza do homem não importa, Deus não procura outra coisa senão o sumo bem dele. Quer o homem seja santo, ou um pecador, o único desejo de Deus é o seu sumo bem. Ora, isto é agape. Agape é o espírito que diz: "Não importa o que o homem me faça, eu nunca procurarei lhe fazer mal; nunca intentarei a vingança; sempre buscarei exclusivamente o sumo bem dele". Isto quer dizer que o amor cristão, é a benevolência invencível, a boa vontade insu-perável. Não é simplesmente uma onda de emoção; é uma convicção deliberada da mente que tem como resultado uma política deliberada na vida; é a realização, conquista e vitória da vontade. Atin-gir o amor cristão exige a totalidade do homem; exige não somente seu coração, mas também sua mente e vontade. Sendo assim, duas coisas devem ser notadas.
(i) O amor humano para com o nosso próximo, é forçosamente fruto do Espírito. O amor cristão não é natural no sentido de que não é possível ao homem natural. O homem somente pode exercer esta benevolência universal, sendo purificado do ódio, da amargura e da reação humana natural à inimi-zade, injúria e antipatia, quando o Espírito tomar posse dele e derramar no seu coração o amor de Deus. O amor cristão é impossível a qualquer pessoa que não seja cristã. Ninguém pode pôr em prática a ética cristã até que se torne cristão. Pode-se ver bem claramente a qualidade desejável da ética cristã; pode-se perceber que é a solução para os problemas do mundo; pode-se aceitá-Ia mentalmente; mas, na prática, não pode ser vivido se Cristo não viver dentro da pessoa.
(ii) Quando entendemos o que agape significa, refutamos amplamente a objeção de que uma socie-dade baseada neste amor seria um paraíso para os criminosos, e que isto significa simplesmente deixar o malfeitor fazer o que quer. Se buscarmos somente o sumo bem do homem, é bem possível que tenhamos de resisti-lo; é bem possível que tenhamos de castigá-lo; é bem possível que tenhamos de agir com severidade diante dele - para o bem da sua alma imortal. No entanto, permanece o fato de que tudo quanto fizermos ao homem nunca será por vingança; nunca será uma simples retribuição; sempre será feito com o amor que perdoa e que procura, não o castigo do homem, e muito menos a eliminação do homem, mas sempre o seu sumo bem. Noutras palavras, agape importa em lidar com os homens conforme Deus lida com eles – e isso não significa deixá-lo agir desenfreadamente segundo sua própria vontade.
4. O amor, esse tipo de amor, é parte do Fruto do Espírito, e, podemos dizer, é a parte mais substanciosa, o mais suculento gomo desse fruto.
5. Tem uma história interessante que diz que
Uma mulher saiu de sua casa e viu três homens com longas barbas brancas, sentados em frente ao quintal dela. Ela não os reconheceu. Ela disse: - "Acho que não os conheço, mas devem estar com fome. Por favor, entrem e comam algo. - O homem da casa está? - Perguntaram. - Não, ela disse, está fora. - Então não podemos entrar" - eles responderam. À noite quando o marido chegou, ela contou-lhe o que aconteceu. - "Vá diga que estou em casa e convide-os a entrar". A mulher saiu e convidou-os a entrar. - "Não podemos entrar juntos". Responderam. - "Por que isto?" - ela quis sa-ber. Um dos velhos explicou-lhe: - "Seu nome é Fartura" - ele disse apontando um dos seus amigos e, mostrando o outro, falou: - "Ele é o Sucesso e eu sou o Amor". E completou: - "Agora vá e discuta com o seu marido qual de nós você quer em sua casa". A mulher entrou e falou ao marido o que foi dito. Ele ficou arrebatado e disse: - "Que bom!" Ele disse: - "Neste caso, vamos convidar Fartura. Deixe-o vir e encher nossa casa de fartura". A esposa discordou: - "Meu querido, por que não convidamos o Sucesso?" A cunhada ouvia do outro canto da casa. Ela apresentou sua sugestão: - "Não seria melhor convidar o Amor? Nossa casa então estará cheia de amor". - "Atentemos pelo conselho da cunhada" - disse o marido para a esposa. - "Vá lá fora e chame o Amor para ser nosso convidado". A mulher saiu e perguntou aos três homens: - "Qual de vocês é o amor? Por favor, entre e seja nosso convidado". O Amor levantou-se e seguiu em direção à casa. Os outros dois levantaram-se e seguiram-no. Surpresa a senhora perguntou-lhes: - "Apenas convidei o Amor, por que vocês entraram?" Os velhos homens responderam juntos: - "Se você convidasse o Fartura ou o Sucesso, os outros dois esperariam aqui fora, mas se você convidar o Amor, onde ele for iremos com ele". Onde há amor, há também fartura e sucesso!!!
6. O amor é – já dissemos – o mais suculento gomo do Fruto do Espírito. Onde há amor há fartura e sucesso!
7. Talvez não fartura e sucesso segundo o pensamento humano, mas certamente fartura e sucesso segundo o pensamento de Deus.
8. Se houver o amor, as demais qualidades descritas em nosso texto base serão quase que conseqüências naturais.
9. É o amor que leva ao cumprimento de toda a lei de Deus.
10. Portanto, os cristãos, como nos diz Gálatas 5.13-15, ao invés de se “morderem” e “de-vorarem” uns aos outros, devem se amar.
11. Veja o que diz Romanos 13.7-10:
“Portanto, dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra. A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei. Com efeito: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não cobiçarás, e, se há algum outro mandamen-to, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor.” (Romanos 13:7-10 RC)
12. É interessante notar que esse texto diz-nos que a ninguém devemos ficar devendo coisa alguma, a não ser o amor.
13. Será que Paulo estava querendo dizer que podemos ficar em falta uns para com os outros no que respeita ao amor?
14. Certamente que não!
15. A única maneira de entender essa passagem é olhando para o amor como sendo uma dívida muito grande, infinita, uma dívida que, por mais que você pague, não diminui.
16. Também, amados, o amor é uma dívida bem interessante que temos uns para com os outros – interessante porque quando nós a estamos “pagando” direitinho, os maiores beneficiados somos nós mesmos.
17. Que bom, então, que essa dívida seja infinita. Vamos pagá-la uns aos outros, diaria-mente, e em altas prestações!!!
18. Agora, a melhor descrição de amor está em I Coríntios 13, mais especificamente os versículos 4-7. Vejamos o que temos lá:
1.1. O amor é sofredor (v.4)
1. O amor é sofredor!
2. O que significa isso?
3. Se você pensou em tristeza, como aquela que sente o rapaz que está apaixonado pela moça e vice-versa e que não é correspondido, você errou.
4. O termo sofredor aqui (na versão RC) é tradução de um termo grego que em portu-guês se pronuncia “makrothumeo” e que tem o sentido de ser demorado em enfure-cer-se, paciente, longânimo, não abatido facilmente pelos insultos sofridos e que não busca vingança sobre aqueles que lhe injuriam (difamam, insultam, ofendem).
5. Algumas versões, como a RA por exemplo, já trazem o termo “paciente”.
6. A paciência é a qualidade espiritual que faz com que cristãos maduros, preocupados em honrar o nome de seu Senhor e Mestre Jesus Cristo, mesmo em meio às prova-ções, lançando mão da esperança, aguardem pacientemente o cumprimento da pro-messa da realização do destino espiritual que têm em Cristo, como algo digno de todo o sofrimento.
“Tais pessoas (as pacientes) são lentas em se irarem quando delas se abusa; não se ressentem por qualquer coisa e nem se apressam para a vindita (vingança) quando são afrontadas. Antes, exer-cem paciência, longanimidade, suportam muito e estão sempre prontas a perdoar”. (John Gill, citado por R. N. Champlin em o N. T. Int. Vers. por Vers., vol. 4, p.206)
7. Você consegue enxergar esse aspecto no seu amor?
1.2. O amor é benigno (v.4)
1. No ponto anterior vimos que a paciência é um aspecto do amor que refreia uma possí-vel atitude má de nossa parte em retribuição a algo mal feito por alguém contra nós. A benignidade vai além: ela nos leva a realizar feitos bondosos. É o amor em ação, que age bondosamente não apenas com os que lhe são favoráveis, mas também com os que lhe são contrários.
2. Não posso dizer que isso seja fácil. Quem pode dizer que isso é fácil? Talvez umas poucas pessoas.
3. Mas a esse respeito Jesus ensinou:
“Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e aborrecerás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem, para que sejais filhos do Pai que está nos céus; porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons e a chuva desça sobre justos e injustos. Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos tam-bém assim? Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai, que está nos céus.” (Mateus 5:43-48 RC).
E Paulo também ensinou:
“abençoai aos que vos perseguem; abençoai e não amaldiçoeis... A ninguém torneis mal por mal... se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem. (Romanos 12:14, 17, 20-21 RC)
Veja o que dizem Mathew Henry e John Gill:
“O amor é benigno, abundante, cortês, prestativo; procura ser útil, e não somente aproveita oportu-nidades para fazer o bem, mas igualmente as busca...” (Mathew Henry, citado por R. N. Champlin em o N. T. Int. Vers. por Vers., vol. 4, p.206)
“O amor, sendo liberal e abundante, faz o bem a todos os homens, até mesmo aos inimigos, e es-pecialmente aos da família da fé; mostra-se gentil para com todos os homens, afável e cortês para com seus irmãos, e não moroso, recolhido e de má índole...” (John Gill, citado por R. N. Champlin em o N. T. Int. Vers. por Vers., vol. 4, p.206)
4. Com bem disse alguém: O egoísmo, a auto-satisfação, pergunta: "Que vantagem há para mim?" O compromisso de amor pergunta: "Que posso fazer por você?"
3. Você consegue ver essa característica no seu amor?
1.3. O amor não é invejoso (v.4)
1. Outra versão traz a palavra ciúme em lugar de inveja.
2. Ambas descrevem o mesmo sentimento, apesar de, na prática, fazermos alguma dife-renciação.
3. A inveja é sempre destrutiva, e não pode coexistir com o espírito de amor.
4. Veja o que diz Paulo em I Coríntios 3.3:
“porque ainda sois carnais, pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois, por-ventura, carnais e não andais segundo os homens?” (RC)
5. O invejoso não consegue ver outra pessoa se destacando, principalmente quando ele é quem queria estar em destaque. Ele logo começa a colocar defeitos, falar mal, e, em alguns casos, a fazer coisas mais graves contra a pessoa. Essas atitudes do invejoso às vezes vêm acompanhadas de uma falsa piedade, hipocrisia.
“A inveja é um dos pecados mais mortais. Nada pode amargurar tanto o espírito humano e envene-nar (mais) as relações pessoais, do que a atitude de inveja... essa foi a causa direta do primeiro crime na história da raça humana”. (C. T. Craig, citado por R. N. Champlin em o N. T. Int. Vers. por Vers., vol. 4, p.207)
Mas o amor não é assim:
“O amor não se deixa entristecer porque outra pessoa possui maior porção de bênçãos terrenas, in-telectuais ou espirituais. Aqueles que possuem esse amor puro se regozijam tanto com a felicidade, com a honra e com o conforto alheios como se tudo isso fosse experimentado por eles mesmos. Estão sempre prontos a permitir que outros sejam preferidos acima deles”. (Adam Clarke, citado por R. N. Champlin em o N. T. Int. Vers. por Vers., vol. 4, p.207)
1.4. O amor não se porta com leviandade, ou, não se ufana (v.4)
1. O amor não trata as pessoas sem seriedade, irrefletidamente; ele não se ufana, isto é, não se vangloria, colocando-se acima das pessoas, numa ostentação orgulhosa, nem mesmo daquilo que realmente possui, seja sabedoria, riqueza, honra, força, dons espirituais, ou capacidade de fazer alguma coisa melhor do que outras pessoas.
2. Às vezes o ufanismo vem acompanhado de uma tentativa de degradar o próximo. Se ele fez algo em que não foi muito bem sucedido, logo procuro fazer a mesma coisa, esforçando-me ao máximo para ser mais que perfeito, apenas com o objetivo de glori-ar-me sobre ele. O amor não faz isso. Não significa que não devo procurar fazer as coisas com o máximo de perfeição, mas não por esse motivo.
1.5. O amor não se ensoberbece (v.4)
1. É um complemento do que foi dito anteriormente.
2. O verbo grego usado aqui é, segundo os estudiosos, “phusioo”, e significa, literalmen-te, “inchar”.
3. O soberbo está inchado com o senso de sua própria importância; é orgulhoso, arro-gante, presunçoso, altivo, e não se dá conta de que a Palavra de Deus diz que “A so-berba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda. (Provérbios 16:18 RC).
4. O verdadeiro amor impede esse tipo de atitude.
1.6. O amor não se porta com indecência, inconvenientemente (v.5)
1. O amor não age com desonra, não se comporta sem boas maneiras. Ele não se im-porta se os outros são incivilizados e se portam de maneira grosseira. Ele não age da mesma forma, não paga com a “mesma moeda”. Ele não deseja ferir nem mesmo a-queles que lhe ferem. Esse é o seu caráter e ele não age fora dele, mesmo que os ventos sejam contrários.
“O amor jamais age fora de lugar ou contrariamente ao seu caráter; mas observa o verdadeiro deco-ro e as boas maneiras; não se mostra rude, vil e brutal... Nenhum homem malcriado, rude e sem boas maneiras pode ser um cristão. Um homem (cristão, que ama) pode se caracterizar por certa aspereza, ou então ser um “palhaço”, mas jamais será vil e maldoso em suas maneiras” (Adam Clarke, citado por R. N. Champlin em o N. T. Int. Vers. por Vers., vol. 4, p.207)
1.7. O amor não busca os seus próprios interesses (v.5)
1. O amor é altruísta e não egoísta.
2. Os egoístas, que só pensam em si mesmos, podem ser comparados ao mar morto, que só recebe, sem nada dar.
3. O verdadeiro amor não é assim. Não fica insistindo sobre seus próprios direitos.
4. Foi por causa da arrogância das pessoas, e insistência em fazer valer os seus próprios direitos, que a igreja dos coríntios se repartiu em várias facções. E Paulo repreendeu-os severamente por isso.
5. A pessoa que busca seus próprios interesses pensa que tudo gira em torno dela. Suas opiniões, seus pensamentos... é que de fato valem, e deveriam ser observados acima de tudo. E as opiniões dos outros só valem quando estão em concordância com as suas. Ela ignora o fato de que a Palavra de Deus diz que
“o amor não busca os seus próprios interesses” (1Co.13.5)
e:
“Ninguém busque o proveito próprio; antes, cada um, o que é de outrem.” (1 Coríntios 10:24 RC)
e:
“Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus. Como também eu em tudo agrado a todos, não buscando o meu próprio proveito, mas o de muitos, para que assim se possam salvar.” (1 Coríntios 10:32-33 RC)
e, ainda:
“Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros.” (Filipenses 2:4 RC)
6. R. N. Champlin, em seu N. T. Interp., à página 208 do volume 4 insere um comentário de alguém de nome Besser:
“O amor não busca o seu aprazimento, seu prazer, sua própria reputação, sua própria bem-aventurança, porquanto, como algo geral, nada busca que queira apenas para si mesmo”
7. Veja a seguinte história ilustrativa:
Numa tarde muito quente, um pobre paralítico sentou-se, como habitualmente fazia, num dos ban-cos de certa praça em Viena, na Áustria, para ali esmolar. Era do produto das esmolas que ele se mantinha. Para atrair os transeuntes, ele tocava um velho violino. Tinha esperanças no efeito da sua música sobre os corações mais generosos. O seu cão, fiel companheiro e amigo inseparável, segurava na boca uma cestinha velha de vime, para que ali fossem depositadas as esmolas que entregavam. Naquela tarde, entretanto, as esmolas não vinham. Sem dar a mínima atenção ao pobre aleijado, o público passava de um lado para outro apressado e distraído. Ninguém parecia ouvir os seus acordes e muito menos se apercebiam da sua presença ali na praça. Esta situação fazia aumentar ainda mais a infelicidade do pobre paralítico, que tanto carecia das esmolas para a sua sobrevivência. De súbito, ao lado do deficiente postou-se um cavalheiro bem vestido, que o olhou com compaixão. Vendo o infeliz pousar o instrumento, já cansado e desanimado, reparando ainda nas grossas lágrimas que lhe rolavam pelas faces, aproximou-se um pouco mais e, metendo uma moeda de prata em sua mão, pediu-lhe licença para tocar no seu violino. Ajustou as cordas, preparou o arco e se pôs a tocar. O público, agora atraído pela maviosidade da música, começou a aproximar-se. Aglomerou-se ao ponto de se tornar uma multidão. As moedas de cobre, prata e até algumas de ouro foram enchendo de tal maneira a pequena cesta, que o cão já não podia sustentar o peso na boca. Teve de pousá-la ao seu lado, no chão. O povo aglomerado não só apreciava a música, mas muito mais admirava o gesto do artista. Este, depois de haver tocado uma melodia que foi cantada pelo público, entusiasticamente, depositou o instrumento nos joelhos do paralítico, agora feliz, e desapareceu sem dar tempo a que lhe agradecesse ou fizesse qualquer pergunta. Mas a indagação ficou: - Quem é este homem que tão bem sabe tocar? - foi a pergunta que se ouviu de todos os lados. A curiosidade tomou conta do povo. O paralítico também estava curioso, além de extremamente agradecido. De repente, do meio da multidão, alguém informou com conhecimento: - Esse homem é Armando Boucher, o célebre violinista que só toca nos grandes concertos, mas, hoje, parece haver também colocado a sua arte ao serviço do amor. Esse gesto tão singular raramente imitado, foi, sem dúvida, uma perfeita demonstração de amor ao pró-ximo.
1.8. O amor não se irrita (v.5)
1. O amor não se deixa provocar tão facilmente, e nem provoca os outros. Os seus “direi-tos” são ameaçados, mas ele não perde a compostura.
2. Mas isso não significa a ausência de uma atitude enérgica quando esta se faz neces-sária. Atitudes enérgicas podem ser tomadas, quando elas se fazem necessárias, sem a presença da irritabilidade. A irritabilidade provoca ressentimento e gera tristeza. O amor deve governar até mesmo as atitudes enérgicas necessárias.
1.9. O amor não suspeita mal (v.5)
1. O melhor sentido dessa frase é: “não leva em consideração o mal praticado contra si”.
2. Isso se torna especialmente difícil quando encontramos alguém que insiste em conti-nuar fazendo o mal contra nós, e, às vezes, hipocritamente. Faz-nos o mal e ainda, em sua hipocrisia e falsa piedade, faz com que todos a enxerguem como “boazinha”. Se o amor cristão não fosse algo “derramado em nossos corações pelo Espírito que nos foi dado” (Rm. 5.5), eu diria que isso seria impossível de realizar. Porém, por vir de Deus o amor cristão, é possível tal realização.
“...o amor não conserva uma contracorrente de méritos e desméritos, com base no que os outros lhe tenham feito. Não guarda ressentimento, não se lembra do mal sofrido por parte de outrem. Também não cultiva a malícia, não se vinga. O amor não atribui mal a outrem, e nem se lembra de possíveis desméritos. O amor não fica afagando na memória os males sofridos, mas sempre perdoa e esquece, conservando limpo o registro, a folha corrida de outros. Isso é psicologicamente benéfico, porquanto é fato bem conhecido que a atitude daquele que guarda ressentimentos contra outros sofre detrimento em sua saúde física e mental”. (R. N. Champlin, em o N. T. int. Vers. por Vers., vol.4, p. 208)
3. Jesus, na oração modelo, ensinou a necessidade do perdão.
1.10. O amor não folga com a injustiça (v.6)
1. Em outras palavras, o amor não se regozija, não se alegra diante da injustiça, da mal-dade, do erro. Ele se entristece, tanto pelo erro em si quanto pela pessoa que cometeu o erro. Ele não se regozija ante o fato de que o outro caiu e agora a sua bondade pró-pria é manifestada mais nitidamente em contraste com aquele.
2. Comentário de Champlin:
“... Há crentes que gostam de fazer intrigas entre seus irmãos ou semelhantes humanos, os quais porventura tenham caído em algum pecado ou desgraça, ao mesmo tempo que pretendem sentir-se ‘horrorizados’ pelo que tem sido praticado. A grande verdade é que esses crentes, infelizmente, se regozijam com o mal, através de uma forma de participação secundária. Além disso, existem cren-tes que chegam mesmo a participar dessas vilezas, sobretudo da categoria moral, que se regozijam e que secretamente se gloriam delas. Ora, o amor não se assemelha a isso. Não pode encontrar lugar para satisfação ou regozijo ante o mal. Os bisbilhoteiros se regozijam com o mal. Ao contarem histórias sobre outros, usualmente em uma versão expandida, os bisbilhoteiros se tornam culpados de se regozijarem com o mal. Muitos bisbilhoteiros se disfarçam de pessoas morais ultra-sensíveis, extremamente chocadas pelo que ficaram sabendo, como se fossem reformadores, que narram suas histórias a fim de corrigir os ofensores. Mas tudo isso não passa de hipocrisia. A pessoa verdadeiramente moral, verdadeiramente sensível ante o mal, o verdadeiro reformador, não é o indivíduo que se entrega à bisbilhotice. Por conseguinte, a bisbilhotice deve ser vigorosamente rejeitada, pelos seguintes motivos: 01) Com freqüência não corresponde à realidade; ou então só parte expressa a verdade; 02) Nunca é necessária a repetição de histórias; 03) Nunca é demonstração de bondade envolver alguém na reiteração da bisbilhotice. É interessante que o bisbilhoteiro causa dano contra si mesmo, porquanto nenhum homem pode ferir a outro sem ferir a si mesmo, psicológica e espiritualmente falando. Aquele contra quem se faz a bisbilhotice é injuriado em sua reputação, a qual é vilipendiada. E aquele que dá ouvidos à bisbilhotice é ferido porque chegou a pensar menos bem de seu semelhante do que deveria fazer; e, fará muito pior se propalar para outros aquilo que ouviu. O bisbilhoteiro é alguém que odeia disfarçadamente. Aquele que ama jamais poderá ser um bisbilhoteiro, e não é demonstração de amor cristão encorajar a bisbilhotice, tornando-se ouvinte atento.
1.11. O amor folga com a verdade (v.6)
1. O amor se alegra com a verdade, com a boa verdade:
a. A verdade de Deus;
b. A verdade acerca do bem, feito por e a outrem;
c. A verdade acerca do progresso espiritual dos outros;
d. A verdade acerca da pureza moral dos nossos semelhantes;
e. A verdade do triunfo do bem.
2. De um pregador escocês do passado foi dito, quando faleceu: “Agora não há mais ninguém em nossa aldeia que aprecie os triunfos do povo comum”.
3. Será que há alguém entre nós que aprecie de fato o triunfo dos seus semelhantes?
1.12. O amor tudo sofre (v.7)
1. Um estudioso da língua grega do N. T. diz que a palavra “sofre” deriva-se de um termo que significa “telhado”. Nesse sentido, o amor é qual telhado a suportar os reveses, as tempestades, resguardando do ressentimento aquele que o possui.
1.13. O amor tudo crê (v.7)
1. Isso não quer dizer que o crente deve acreditar em tudo e em todos totalmente, fican-do assim sujeito a ser enganado por qualquer charlatão. Ele conhece as pessoas que não são tão boas, tão confiáveis, mas sabe que essa pessoa tem um lado bom, ou pode melhorar, e vive esperando e querendo essa melhora, e não se preocupa em di-famar. A pessoa não é tão boa assim, mas o amor permanece, a despeito do que sabe, encorajando-a a crescer no bem.
1.14. O amor tudo espera (v.7)
1. Espera a manifestação do que há de melhor nas pessoas.
“O amor antecipa o arrependimento do transgressor, bem como a sua restauração à boa opinião da sociedade e de seu lugar na igreja de Deus, de onde o transgressor caíra.” (Adam Clarke, citado por Champlin)
1.15. O amor tudo suporta (v.7)
1. Quem ama suporta as falhas dos outros, mesmo quando estes são contra ele.
2. O amor é capaz disso, QUANDO DECIDE POR ISSO.
1.16. O amor nunca falha, ou jamais acaba (v.8)
1. Veja o seguinte comentário:
“O amor jamais acaba. Ele é eterno. Nunca chegará ao fim, porque está fundamentado em Deus, e Deus é amor. O amor durará tanto quanto Deus durar: para sempre. O crente é possuído de uma realidade que não finda e nem languesce (perde forças). O amor nunca falha. Se os homens deixam de ser dignos de amor, o amor não deixa de amar o indigno. O amor não desfalece nem falha, mas continua a manifestar-se na semelhança de Cristo. E será, no distante amanhã, a mesma coisa que é hoje. o infindável amor é sempre o mesmo amor. O amor que conhecemos hoje é o amor que conheceremos amanhã.” (Raymond Bryan Brown, comentando I Coríntios em “Comentário Bíblico Broadman- JUERP)